Pupillo vai do Recife para o mundo nas ricas texturas sonoras que compõem a trilha do primeiro álbum solo do artista

  • 07/03/2026
(Foto: Reprodução)
Pupillo apresenta 12 músicas autorais sem letras (mas gravadas com vocais) no primeiro álbum solo Fred Siewerdt / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Pupillo Artista: Pupillo Cotação: ★ ★ ★ ★ ♬ A trilha sonora da vida de Romário Menezes de Oliveira Jr. – o baterista, compositor e produtor musical pernambucano conhecido pelo nome artístico de Pupillo – parece conter a música do mundo. Um recorte dessa trilha foi apresentado há seis anos no álbum em que o baterista adotou o codinome de Sonorado e reprocessou temas de novelas, à frente da banda que formou com virtuoses como Thomas Harres (baterista arregimentado para a percussão). Ali, naquele álbum intitulado “Sonorado apresenta novelas” (2020), foi fundada a base do que pode ser considerada a discografia solo de Pupillo. No entender do baterista, contudo, e há certa razão nessa visão, a discografia solo do artista começa efetivamente em 2026 com o lançamento do álbum “Pupillo”, em rotação desde ontem, 6 de março, com 12 músicas sem letras, mas algumas gravadas com vozes como a de Agnes Nunes, cantora que faz os vocalizes de “Forró no asfalto”, parceria de Pupillo com Alberto Continentino. Gravado em estúdio de Los Angeles (EUA) e editado pela gravadora norte-americana Amor in Sound, “Pupillo” é álbum de produtor, essencialmente instrumental e repleto de convidados, com temas em que o artista nascido no Recife (PE) fala e toca de Pernambuco para o mundo. Outra parceria de Pupillo com Continentino, “Tropical exótica” abre o álbum e se impõe como a grande música da safra autoral do compositor no disco pela beleza da música em si e pelo grande poder de sedução da textura sonora dessa faixa meio psicodélica que parece evocar algum lugar do passado na trilha sonora da vida de Pupillo. Trilha cinematográfica, diga-se. Pilotando bateria, percussões, MPC e synth, entre outros instrumentos, o músico faz uma música do mundo de tom contemporâneo, partindo do Recife (PE) natal. Às vezes, o sotaque do álbum é mais universal, como exemplifica o suingue funky que conduz “Bem bom”, parceria de Pupillo com Hervé Salters, tecladista do grupo francês de rock-funk eletrônico General Elektriks, convidado da faixa. Em outras vezes, o som de Pernambuco está enraizado na gênese da música, caso de “Pifando”. Os pífanos tocados por Alexandre Rodrigues – creditado como coautor do tema em parceria com Pupillo e o recorrente Alberto Continentino – explicitam a referência da célebre banda de Caruaru (PE). E assim caminha o álbum solo de Pupillo, entre a tradição e a contemporaneidade, representada, por exemplo, pelo boom bap que embasa “Fealhá”, faixa com vocais de Céu, creditada como parceira de Pupillo na composição. Capa do primeiro álbum 'Pupillo', lançado pelo selo norte-americano Amor in Sound, do produtor Mario Caldato Jr. Fred Siewerdt com arte de MZK Em texto publicado nas redes sociais do artista, Pupillo explicou a rota existencial e sonora do álbum. “O meu disco reverencia os símbolos e paisagens do Nordeste brasileiro, principalmente do meu estado, Pernambuco. Lugar que me deu a oportunidade de vivenciar e celebrar a riqueza da nossa cultura desde o litoral até o sertão. O álbum é apenas um pequeno recorte das minhas memórias e de algumas experiências vividas ao longo da caminhada. Faço parte de uma geração que encontrou nas adversidades o combustível para reacender a chama da autoestima e transformar essa riqueza em novas formas de expressão, sempre respeitando a tradição, mas sobretudo, entendendo a necessidade de renovação na construção de nossa identidade através de uma movimentação que resultou no Manguebit”, contextualiza Pupillo, citando o movimento musical pernambucano que irrompeu no Brasil em 1994 a reboque de nomes como a Nação Zumbi, banda que projetou o baterista em escala nacional a partir de 1995. Foi em Pernambuco que, duas décadas depois do Manguebeat, surgiu um dos mais renovadores pianistas brasileiros dos últimos anos, Amaro Freitas, cujo piano jazzístico se harmoniza com a base percussiva tocada por Pupillo em “Fervendo o chão com Amaro!”. Com scratches do DJ e produtor musical norte-americano The Gaslamp Killer, “O sopro de Naná” referencia o som sobrenatural do percussionista Naná Vasconcelos (1944 – 2016), um dos gênios musicais da cidade natal de Pupillo, em faixa em que o baterista toca berimbau (instrumento inserido por Naná no mundo do jazz) e Rodrigo Amarante pilota minimoog. Na costura percussiva do álbum, “O sopro de Naná” se afina com “Navegando os novos tempos” (Pupillo, Carminho, Adrian Younge e Roberto Schilling), faixa em que saltam aos ouvidos os vocais da cantora portuguesa Carminho, no caso distantes do universo do fado. E por falar em música lusitana, Davi Moraes toca viola portuguesa em meio ao batuque de “Que é isso, bicho?”, faixa de sotaque nordestino, puxado pelo toque da sanfona de Felipe Costa. Em que pese a profusão de convidados ao longo das 12 faixas autorais, Pupillo jamais perde o protagonismo do álbum no posto de baterista e percussionista. Se “Mica sonic groove” se assenta sobre baticum eletrônico, com o toque da guitarra de Pedro Martins, “Entrée” cai em suingue jazzy em tema de tom cinematográfico feito com as adesões de músicos como Jota Moraes (no proeminente vibrafone) e Rodrigo Amarante (vocais, mellotron, escaleta e baixo). Gravado com produção musical orquestrada por Mario Caldato Jr. (também responsável pela apropriada mixagem) com Pupillo, o álbum fecha a rota sonora intercontinental com o tema “De chegada”, parceria de Pupillo com Pedro Martins (na guitarra, no órgão Hammond e no piano Rhodes). Com cerca de 37 minutos, a viagem do álbum “Pupillo” resulta agradável. O real primeiro disco solo de Pupillo Oliveira termina com a sensação de que cumpriu as expectativas e de que, talvez, possa ganhar ainda mais relevência com o passar dos anos, soando como vivaz retrato da pluralidade da música de Pernambuco no século XXI. Pupillo costura referências pernambucanas, como a Banda de Pífanos de Caruaru e a percussão de Naná Vasconcelos (1944 – 2016), ao longo das 12 faixas do álbum Fred Siewerdt / Divulgação

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/03/07/pupillo-vai-do-recife-para-o-mundo-nas-ricas-texturas-sonoras-que-compoem-a-trilha-do-primeiro-album-solo-do-artista.ghtml


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