Homenageada no Festival Negritudes Globo, Alcione fala sobre o combate ao racismo: ‘Temos que reagir’
15/05/2025
(Foto: Reprodução) A 6ª edição do evento discute tradições familiares, reconstrução do imaginário e da autoestima negra nas telas, diversidade e potência da música preta. Acontece hoje no Rio o Festival Negritudes Globo 2025
“O preconceito existe desde a hora que você nasce. Como meu pai dizia, 'a porta fechada é para se bater, ela tem que abrir'. Então, você não tem que ter medo de porta fechada, de cara feia. Você não pode aceitar [o preconceito] não.”
É assim que a cantora Alcione se posiciona sobre o preconceito. Para a artista, mesmo com os avanços sociais, o preconceito racial continua presente na sociedade.
A artista foi a homenageada no 4º Festival Negritudes Globo, que aconteceu na manhã desta quinta-feira (15) no Galpão da Cidadania, no Rio de Janeiro.
Em entrevista ao g1, Alcione conta que sempre questionou e continua questionando o racismo no Brasil.
“Não pode aceitar. Nós temos que encarar, temos que reagir a isso”, diz.
Os cantores Alcione e Mumuzinho, a atriz Isabel Fillardis e o idealizador, pesquisador e produtor do Negro Mundo, Pedro Rajão, participam da mesa ‘As narrativas da vida e da obra de Alcione’, com mediação da jornalista Aline Midlej
Globo/Manoella Mello
O ator Tony Tornado, de 94 anos, também participou de uma roda de conversa.
“Eu já cheguei em uma novela que, das 180 pessoas, apenas eu era o negro. Então, com o tempo, isso foi mudando. Acho que fui um dos precursores dessa mudança. Eu fico muito feliz quando vejo no áudio visual essa quantidade de negros e negras. É isso tem que aumentar ainda mais”, destaca o ator que está na TV Globo desde 1976.
Neste ano, os debates giram em torno de temas como tradições familiares, desafios das famílias interraciais, reconstrução do imaginário e da autoestima negra nas telas e diversidade e potência da música preta.
O ator Tony Tornado, aos 94 anos
Rafael Nascimento/g1 Rio
Aos 67 anos, o ativista Ivanir dos Santos, reconhecido por sua atuação em defesa dos direitos civis e das religiões de matrizes africanas, destaca que a postura do Grupo Globo em relação à pauta racial mudou ao longo dos anos — uma transformação que, segundo ele, influenciou também a sociedade brasileira.
“Temos que olhar no ponto de vista histórico. No começo, a Globo nas suas histórias, os negros eram subalternos. O que corroborava a visão da sociedade da época. Quando a Globo começa a mudar a postura, a partida da mobilização de negros na década de 70, com negros aparecendo com negro no poder, a sociedade vai mudando. Hoje, temos famílias negras nas novelas, nos filmes, nas produções da emissora. Temos negros médicos, arquitetos, empresários e todas as produções audiovisuais. O grande barato do Negritudes é fortalecer a participação dos negros no audiovisual. E isso terá um impacto no futuro”, diz Ivanir.
Festival estará em Brasília
Ronald Pessanha, líder do Negritudes Globo
Globo/Manoella Mello
Para Ronald Pessanha, líder do Negritudes Globo, o projeto começou com funcionários do Grupo Globo e se espalhou para todo o Brasil, abrindo o caminho para outras pessoas.
Este ano, o festival também acontecerá em Brasília, no dia 29 de maio. Os ingressos extras serão disponibilizados a parte desta quinta (15).
“O Negritudes celebra o debate e a narrativa negra. Começamos com os funcionários e o tema foi crescendo. Hoje, estamos há 4 anos. Esse é o momento de celebração com marcas, agências, autores saber como trazer os negros para a tela”, diz Pessanha.
“Teremos uma edição especial em Brasília para falar como o áudio visual pode ser aliado na garantia de direitos O objetivo do festival é pensar como construir um futuro melhor”, acrescenta.
Ao todo, serão 11 mesas de debates, em 2 palcos, com um show de Teresa Cristina no encerramento.
Durante uma mesa de conversas, mediada pela jornalista Aline Midlej, o cantor Mumuzinho disse que já recorreu ao humor para lutar contra o preconceito.
“Muita das vezes, o Márcio usou do humor para se defender. O Mumuzinho precisou passar por muitos tropeços para seguir. Mas, de onde eu saí, de Padre Miguel, Realengo, tem pessoas que se inspiram no Mumuzinho. A gente pode ter sucesso, abraçar o mundo. Mas, a gente não pode perder a nossa base”, disse Mumuzinho.
Alcione destacou a importância de compartilhar vivências.
“Já me disseram que artista negro não poderia fazer sucesso. Mas, eu disse: ‘comigo o buraco é mais embaixo”, contou Marrom.
“Pensamos como trazer a cultura afro para o áudio visual”, destacou líder do Negritudes Globo.