Cinebiografia de Clara Nunes, com a atriz Camila Pitanga no papel da cantora, tem uma grande questão pela frente...

  • 29/07/2026
(Foto: Reprodução)
Clara Nunes (1942 – 1983) – vista em imagem de ensaio fotográfico de 1982 – terá a trajetória contada no filme intitulado 'Clara' Wilton Montenegro / Divulgação ♫ OPINIÃO ♬ A vida de Clara Nunes (12 de agosto de 1942 – 2 de abril de 1983) foi mesmo coisa de cinema. Não chega a surpreender que, na onda das cinebiografias de astros e estrelas da música, a Matizar Filmes tenha anunciado a produção de um longa-metragem de ficção sobre a vida da cantora mineira, cuja voz luminosa conquistou o Brasil ao longo da década de 1970 com álbuns como “Alvorecer” (1974), “Claridade” (1975), “Canto das três raças” (1976), “As forças da natureza” (1977) e “Guerreira” (1978), entre outros grandes discos. Caberá à atriz Camila Pitanga interpretar a artista no filme intitulado “Clara”. Com roteiro de Flavia Vieira e Janaína Tokitaka, a cinebiografia tem uma grande questão pela frente: abordar (mesmo que de forma superficial) ou simplesmente ignorar a tragédia familiar que assombrou a vida de Clara Nunes, mesmo quando a cantora já tinha se firmado na carreira na década de 1970 e vivia na cidade do Rio de Janeiro (RJ), longe do local da tragédia. Trata-se do assassinato de jovem de 17 anos, Adilson Alvarez da Costa, morto em 3 de setembro de 1957 pelo irmão da cantora, José Pereira Gonçalves, conhecido como Zé Chilau. O crime foi cometido em "defesa da honra" da então adolescente Clara e teve consequências sérias na vida da jovem, que teve que migrar do interior de Minas Gerais para Belo Horizonte (MG) para escapar da ira da cidade em que vivia com a família. Esse fato trágico na biografia da cantora somente veio à tona em 2007 com a edição da referencial biografia “Clara Nunes – Guerreira da utopia”, escrita pelo jornalista Vagner Fernandes. Como relata Fernandes no livro, Clara Nunes conviveu com as consequências da tragédia por toda a vida, mas tudo leva a crer que o foco do filme “Clara” será essencialmente direcionado para a trajetória profissional da cantora, que bateu cabeça na segunda metade da década de 1960 até encontrar um caminho e uma identidade artística ao eleger o samba como o mote da discografia a partir de 1971, adotando a estilizada imagem afro-brasileira idealizada pelo radialista Adelzon Alves, produtor musical dos discos que consolidaram Clara Nunes como sambista através de quatro álbuns lançados entre 1971 e 1974. A cinebiografia “Clara” é projeto realizado pela Matizar Filmes em parceria com a Paraguassu, produtora da atriz Camila Pitanga, e em coprodução com a H2O Produções. Camila Pitanga é protagonista e coprodutora da cinebiografia da cantora Clara Nunes (1942 – 1983) Raphael Tepedino / Divulgação Matizar Filmes

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/07/29/cinebiografia-de-clara-nunes-com-a-atriz-camila-pitanga-no-papel-da-cantora-tem-uma-grande-questao-pela-frente.ghtml


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