Boca Livre canta Edu Lobo em álbum em que imprime a sofisticação da obra do compositor na assinatura vocal do grupo

  • 12/05/2026
(Foto: Reprodução)
O grupo Boca Livre lança na sexta-feira, 15 de maio, álbum em que canta onze músicas de Edu Lobo (ao centro) Fernando Young / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Boca canta Edu Artista: Boca Livre Cotação: ★ ★ ★ ★ ♬ Um álbum em que o grupo Boca Livre dá vozes ao cancioneiro do compositor Edu Lobo é projeto fonográfico em tese sem riscos. Seria difícil dar errado. E, de fato, o álbum “Boca canta Edu” coleciona acertos ao longo das 11 faixas, a despeito da sensação de a refinada técnica vocal do quarteto carioca – conceito objetivo – ter prevalecido em algumas faixas em relação ao sentimento – percepção subjetiva, passível de interpretações pessoais – no canto de repertório selecionado com coragem e conhecimento de causa. Já na música que abre o álbum, “Veneta” (Edu Lobo e Chico Buarque, 2001), fica evidente que Boca Livre se desviou da linha greatest hits ao recriar esse coco de embolada da trilha sonora do musical de teatro “Cambaio” (2001). São apenas as vozes do Boca Livre – inicialmente ouvidas a capella – e o pandeiro percutido por Zé Renato em gravação que realça a vivacidade rítmica do tema. Há décadas em conexão com Edu Lobo, David Tygel (voz e viola caipira), Lourenço Baeta (voz, violão e flauta), Mauricio Maestro (voz e baixo) e Zé Renato (voz, violão e pandeiro) sabem onde se meteram quando decidiram gravar álbum com as músicas desse compositor de melodias sofisticadas e harmonias por vezes intrincadas. Edu Lobo é um grande compositor carioca de ascendência pernambucana, o que explica a recorrência de temas de pegada nordestina, caso do baião “Uma vez, um caso” (Edu Lobo e Cacaso, 1976), cuja saga trágica narrada na letra do poeta Cacaso (1944 – 1987) tem o drama amenizado no trilho seguido pelo Boca Livre em gravação sublinhada pelo violoncelo de Iura Ranevski. Ainda na estação nordestina, o grupo segue o passo do frevo-canção “Zanga zangada”, parceria de Edu Lobo com Ronaldo Bastos – compositor letrista mais associado ao Clube da Esquina – apresentada pelo Quarteto em Cy em álbum de 1972. Na moderna moda de viola ironicamente intitulada “Viola fora de moda” (Edu Lobo e José Carlos Capinan, 1973), o Boca Livre harmoniza violões e violas em sintonia com o som característico desse grupo formado no Rio de Janeiro (RJ) em 1978, ano em que o quarteto foi instantaneamente avalizado por Edu Lobo. Naquele ano de 1978, Edu gravou o álbum “Camaleão” e arregimentou o grupo debutante para fazer vocais no estilizado baião “Sanha na mandinga”. Parceria do compositor com o supracitado poeta mineiro Cacaso, “Sanha na mandinga” reaparece refinado no álbum “Boca canta Edu” como atestado da coerência que norteou tanto o grupo quanto o compositor nas respectivas trajetórias profissionais. Com lançamento programado para a próxima sexta-feira, 15 de maio, em edição da gravadora Som Livre, o álbum “Boca canta Edu” referencia Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994) – compositor cujo cancioneiro soberano foi uma das bases sólidas na construção da obra de Edu Lobo – no arranjo vocal de “Choro bandido” (Edu Lobo e Chico Buarque, 1985). Há uma coerência que atravessa todo o álbum, inclusive nas escolhas dos feats. Se o samba “Ave rara” (Edu Lobo e Aldir Blanc, 1993) junta mais uma vez o Boca Livre com o MPB4, reforçando conexão iniciada há 45 anos quando o Boca convidou o quarteto fluminense para unirem vozes na música “Se o meu jardim der flor” (Zé Renato e Xico Chaves) do álbum “Folia” (1981), o samba “Corrida de jangada” (Edu Lobo e José Carlos Capinan, 1967) põe na roda Vanessa Moreno, uma das cantoras preferidas de Edu Lobo na atualidade. A voz de Vanessa é a cereja do bolo na gravação do samba. Em “Arrastão” (Edu Lobo e Vinicius de Moraes, 1965), único tema mais amplamente conhecido do repertório selecionado pelo grupo, o Boca Livre se desvia da grandiosidade épica do canto referencial de Elis Regina (1945 – 1982) ao apresentar a música em festival de 1965, buscando outros caminhos harmônicos para “Arrastão” em gravação que harmoniza cordas orquestradas por Maurício Maestro, o piano jazzy de João Carlos Coutinho – em breve passagem instrumental – e a voz do próprio Edu Lobo, cujo canto soa discreto como o próprio artista. Na canção “Dos navegantes” (Edu Lobo e Paulo César Pinheiro, 1993), há maior equilíbrio entre técnica e emoção na abordagem de música que versa sobre a lira do delírio de viajante marítimo que, levado por vento vadio, transita de porto a porto com inquietação e melancolia. Essa melancolia é mixada com nostalgia em “Candeias” (1967) derradeiro porto em que ancora o álbum “Boca canta Edu”, reavivando uma das poucas composições em que Edu Lobo assina música e letra. Recuperando na voz de Edu Lobo a introdução da gravação original do autor (“E caso ainda exista aquela rua, aquelazinha do sobrado em frente ao mar...”), suprimida nos demais registros fonográficos da música por intérpretes do quilate de Gal Costa (1945 – 2022), a sedutora gravação de “Candeias” pelo Boca Livre vem embalada por cordas, um sentimento nas vozes dos intérpretes – em outro exemplo da combinação precisa de técnica e emoção – e a voz do autor a referendar esse álbum em que o Boca Livre canta Edu Lobo sem erros, imprimindo a sofisticação do compositor na assinatura vocal do grupo. Capa do álbum 'Boca canta Edu', do grupo Boca Livre Fernando Young / Divulgação

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/05/12/boca-livre-canta-edu-lobo-em-album-em-que-imprime-a-sofisticacao-da-obra-do-compositor-na-assinatura-vocal-do-grupo.ghtml


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