As novas investigações contra Russell Brand, considerado culpado de estupro e agressão
06/11/2026
(Foto: Reprodução) Russell Brand foi considerado culpado de estupro e agressão sexual após três semanas de julgamento no Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres
Zeynep Demir/Anadolu via Getty Images via BBC
Aviso: Esta reportagem contém relatos de estupro e agressão sexual.
O comediante britânico Russell Brand — que foi considerado culpado por estupro e agressão sexual na quinta-feira (5/11) em Londres — está sendo investigado por novas acusações de estupro feitas por mais duas mulheres.
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Brand foi considerado culpado na quinta-feira por um júri formado por oito homens e quatro mulheres, após três semanas de julgamento no Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres, no Reino Unido.
A pena dele ainda não foi definida. O juiz do caso decidiu que Brand permanecerá sob custódia até a audiência de sentença, na segunda-feira, quando se espera que receba uma longa pena de prisão.
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Em decorrência da condenação do comediante, o policial responsável pela investigação afirmou que é possível que outras vítimas apresentem novas denúncias.
Em entrevista à BBC na sexta-feira, o comissário da Polícia Metropolitana de Londres, Mark Rowley, confirmou que as autoridades estão investigando dois novos casos relacionados a Brand.
"Certamente não me surpreenderia se muitas outras denúncias surgirem", afirmou Rowley.
O superintendente da polícia, Andy Furphy, disse esperar que a decisão do júri dê "coragem" e "confiança" a outras mulheres para denunciar possíveis abusos.
"Elas provavelmente vão se sentir mais corajosas e confiantes depois do que aconteceu no tribunal nas últimas semanas", disse.
Furphy elogiou a coragem das mulheres ao enfrentar um processo que, em alguns momentos, foi "profundamente desconfortável". "São mulheres corajosas e determinadas. Nossa prioridade sempre foram elas, não Russell Brand."
Durante o julgamento, Brand foi absolvido de outras duas acusações de estupro e de uma de tentativa de atentado ao pudor.
'Implacável'
Segundo Furphy, Brand inicialmente se mostrou reservado e falou pouco durante os interrogatórios policiais, mas ficou mais ousado à medida que os agentes continuaram a fazer perguntas.
"À medida que ele se acostuma com alguma coisa, ele fica mais atrevido", disse Furphy. "É possível perceber isso claramente nos crimes que cometeu."
A polícia ouviu centenas de pessoas durante a investigação. Várias testemunhas se apresentaram, incluindo algumas que haviam mantido relações sexuais com Brand. A cantora americana Katy Perry, que foi casada com o comediante entre 2010 e 2012, não foi ouvida.
Brand, de 51 anos, já foi um dos artistas mais famosos e requisitados do Reino Unido. Ele atuou em filmes como Ressaca de Amor (2008) e O Pior Trabalho do Mundo (2010), além de emprestar sua voz para personagens de animações como Trolls (2016) e Minions 2: A Origem de Gru (2022).
Durante o julgamento, Brand foi descrito como "implacável" e "predador sexual".
Algumas das mulheres afirmaram que ficaram "atormentadas durante anos" pelos abusos que relataram ter sofrido.
Em entrevista à BBC, policiais que participaram da investigação conduzida durante três anos pela Polícia Metropolitana de Londres contaram quais foram os principais desafios para levar Brand à Justiça.
A cantora americana Katy Perry, que foi casada com Russell Brand entre 2010 e 2012, não foi ouvida pela polícia durante a investigação
Chris Jackson/Getty Images via BBC
As primeiras denúncias contra Brand vieram a público em setembro de 2023.
Uma investigação conjunta dos jornais britânicos The Times e Sunday Times e do programa Dispatches, do Channel 4, revelou que quatro mulheres acusavam o comediante de estupro, agressão sexual e abuso emocional. Brand negou veementemente as acusações.
Pouco depois da divulgação da reportagem, a polícia começou a investigar outras denúncias contra o comediante.
"Imaginávamos que outras pessoas poderiam querer denunciar", disse Furphy. "E foi o que aconteceu."
As denúncias das vítimas foram registradas por forças policiais de diferentes regiões do país. A Polícia Metropolitana de Londres criou uma equipe especial para investigar o caso, em uma operação batizada de Actinolite. Segundo a polícia, foram colhidos mais de 340 depoimentos de testemunhas, entre elas ex-empregadores, antigos colegas de trabalho e pessoas ligadas a Brand.
Um dos policiais ficou responsável por ler os livros do comediante, assistir a suas apresentações de comédia e aos DVDs de seus espetáculos, além de ouvir seus podcasts, para ajudar a reunir provas.
Segundo Furphy, a fama de Brand e a intensa cobertura da imprensa dificultaram o trabalho dos investigadores.
Outro desafio foi o tempo decorrido desde os supostos crimes. Todas as denúncias envolviam episódios antigos, o mais distante deles ocorrido 27 anos antes. Por isso, a polícia não dispunha de imagens de câmeras de segurança nem de provas periciais.
Furphy explicou que os investigadores precisaram buscar outras formas de reunir provas.
"Podemos investigar onde as vítimas estavam na época? Com quem conversaram depois do ocorrido? Contaram a mais alguém? Que outros materiais podemos analisar para reforçar as denúncias? O fato de serem casos antigos não significa que não possamos esclarecê-los."
Um ex-amigo de Brand foi chamado a depor como testemunha de acusação. O tribunal também ouviu uma declaração dos pais de uma das mulheres.
Uma ex-assistente pessoal do comediante, que trabalhou diretamente com ele, contou ao júri que Brand tinha um "apetite sexual insaciável".
Processo 'profundamente desconfortável'
Dois meses após o início da investigação policial, Brand foi interrogado formalmente pela primeira vez. Nos meses seguintes, passou por outros dois interrogatórios.
Em todos eles, o comediante entregou aos policiais uma declaração preparada com antecedência, na qual afirmava não reconhecer as mulheres que o denunciaram nem se lembrar dos supostos episódios. Também declarou que, caso tivesse mantido relações sexuais com elas, teriam sido consensuais. Depois, respondeu "nada a declarar" às perguntas dos investigadores.
Russell Brand chega ao tribunal acompanhado da mulher, Laura, para o início de seu julgamento
LEON NEAL/GETTY IMAGES via BBC
No início de abril de 2025, Brand foi formalmente acusado de cinco crimes: um de estupro, um de estupro oral, dois de agressão sexual e um de atentado ao pudor. A última acusação foi alterada para tentativa de atentado ao pudor durante o julgamento.
Todas as acusações envolviam mulheres que haviam procurado a polícia após a exibição do primeiro documentário do Channel 4 sobre o caso.
No mês seguinte, Brand compareceu ao Tribunal de Magistrados de Westminster, em Londres. Cercado por equipes de reportagem, levou mais de dois minutos para percorrer a curta distância até a entrada do tribunal. Em uma audiência posterior, declarou-se inocente das acusações.
Enquanto isso, outras mulheres continuaram a denunciar o comediante.
Em julho de 2025, Brand foi interrogado pela quarta vez. Posteriormente, foi acusado de mais dois crimes, um de estupro e outro de agressão sexual. Ele também negou essas acusações.
Em 14 de outubro de 2026, acompanhado da mulher, Laura, o ator e comediante compareceu ao Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres, para o início de seu julgamento. Brand ficou na área envidraçada reservada aos réus.
As mulheres prestaram depoimento ao júri atrás de uma divisória, enquanto Brand acompanhava os relatos da área reservada aos réus. Algumas choraram durante os depoimentos.