Antonio Adolfo brinca o Carnaval com a liberdade do jazz em álbum afetivo

  • 17/02/2026
(Foto: Reprodução)
Capa do álbum ‘Carnaval – The songs were so beautiful’, de Antonio Adolfo Ilustração de Elifas Andreato ♫ PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR ♬ Entrei no clima da folia jazzística de Antonio Adolfo. Reouvi o álbum “Carnaval – The songs were so beautiful” (2025), lançado em julho por este excepcional pianista e arranjador carioca com capa que expõe a maestria de Elifas Andreato (1946 – 2022) para criar ilustrações para a arte de discos. Não sou do jazz (exceto o das grandes cantoras do gênero), mas aprecio músicos que exercem a liberdade do jazz sem exibicionismo e com conhecimento de causa. É o caso de Adolfo. No álbum, o artista remexe na memória afetiva da infância, época em que ouvia, fascinado, sambas, marchas e frevos recorrentes no cancioneiro carnavalesco. Com a sabedoria dos 79 anos, festejados em 10 de fevereiro, Adolfo remexe nesse repertório. Na boa companhia de Danilo Sinna (sax alto), Jessé Sadoc (trompete e flugelhorn), Jorge Helder (baixo), Marcelo Martins (flauta e sax tenor), Rafael Barata (bateria e percussão), Rafael Rocha (trombone) e Ricardo Silveira (guitarra), músicos que formam com Adolfo um octeto afinado, o pianista dá contornos jazzísticos a temas como o samba “É com esse que eu vou” (Pedro Caetano, 1947) e o frevo “Vassourinhas” (Mathias Rocha e Joana Batista Ramos, 1949), redesenhado harmonias, mas sem desfigurar as melodias. A marcha “Oba” (Oswaldo Nunes, 1962) – hino do bloco carioca Bafo da Onça – é a única música que soa mais distante do formato original, mas ainda assim é reconhecível aos ouvidos foliões. Mesmo fazendo música instrumental, o pianista parece estar atento ao sentido das letras, rasgando a fantasia de alegria que envolve tradicionalmente “Mal me quer” (Cristóvão de Alencar e Newton Teixeira, 1940), marcha de tom melancólico, para citar somente um exemplo de afinação entre música e letra no álbum “Carnaval – The songs were so beautiful”. Ora imprimindo mais romantismo e serenidade jazzy, como na marcha “A lua é dos namorados” (Armando Cavalcanti, Kléssius Caldas e Brasinha, 1960), ora seguindo a cadência extrovertida do samba “Vai passar” (Francis Hime e Chico Buarque, 1984), cujo enredo político andou fazendo sentido em folias recentes, Antonio Adolfo sabe brincar o Carnaval com a liberdade do jazz neste álbum que resiste além dos dias de folia para quem aprecia o virtuosismo deste grande músico. Recomendo. Até porque as músicas dos antigos Carnavais eram (e continuam) tão lindas.

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/02/17/antonio-adolfo-brinca-o-carnaval-com-a-liberdade-do-jazz-em-album-afetivo.ghtml


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